Comemoração dos 40 anos do PPGE/FE/UFG
Celebrar 40 anos do PPGE/FE/UFG é um ato político e acadêmico ao mesmo tempo. O Programa que hoje apresentamos tem uma trajetória que não se resume a datas — ela se conta em vidas formadas, em problemas educacionais enfrentados, em políticas disputadas e em conhecimento produzido com rigor e compromisso social. Criado em 1986 como Programa de Mestrado em Educação Brasileira, o PPGE foi, por anos, o único programa de pós-graduação em educação de toda a Região Centro-Oeste. Fomos, literalmente, os construtores do campo em nossa região. Em 2001, lançamos o primeiro curso de doutorado em educação do Centro-Oeste — um ato de ousadia acadêmica que redefiniu a formação de pesquisadores em Goiás e nos estados vizinhos. E ao chegarmos ao ano de 2024, nosso Programa atingiu a marca de 749 dissertações e 292 teses defendidas — um acervo de 1.041 pesquisas sobre educação, produzidas com rigor científico e referenciadas na realidade brasileira. Não são números: são gerações de mestras, mestres, doutoras e doutores que atuam hoje em universidades, redes de educação básica, secretarias, movimentos sociais e organismos de gestão pública — e que foram, muitos deles, a semente de outros programas de pós-graduação em educação que nasceram pelo Brasil a partir de egressos nossos.
Essa trajetória é sustentada por um corpo docente de notável solidez — hoje composto por 30 professoras e professores, reunidos em quatro linhas de pesquisa que, como vocês ouvirão em instantes, cobrem desde as relações entre trabalho, educação e movimentos sociais até os fundamentos filosóficos e epistemológicos da educação, passando pela análise das políticas de Estado e pelas questões da formação docente. Incrivelmente, pela primeira vez em 40 anos, Programa foi avaliado com nota 6 pela CAPES no último quadriênio, e mantém a revista Inter-Ação — publicação semestral da FE/UFG vinculada ao PPGE, com Qualis A2 — como um dos seus principais veículos de disseminação científica, hoje com circulação desde 1975 e liderada pela Profa. Miriam Fábia Alves como editora-chefe. Mas o que singulariza ainda mais nosso corpo docente é sua presença ativa nos espaços onde as decisões sobre educação são disputadas no país. Nenhum outro programa da região pode apresentar uma inserção institucional tão expressiva nas principais associações científicas e entidades de pesquisa do campo educacional brasileiro, em que é presidenta.
Que fique registrado com o destaque que merece: o Prof. Luiz Fernandes Dourado é atualmente presidente da ANPAE — a Associação Nacional de Política e Administração da Educação —, cargo que antes foi exercido pelo Prof. João Ferreira de Oliveira, que hoje integra a Direção do FORGES e é Diretor de Pesquisa da própria ANPAE. A Profa. Miriam Fábia Alves, além de editora-chefe da Inter-Ação, é a atual presidenta da ANPEd — a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, a principal entidade científica do campo no país —, cargo que, na história do PPGE, foi antes exercido pela Profa. Margarida Machado. O Prof. Nelson Cardoso Amaral é atual vice presidente da FINEDUCA — Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação —, foi presidente e é figura de referência nacional nos debates sobre financiamento, tendo sido convocado em múltiplas oportunidades para audiências públicas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. A Profa. Marilza Vanessa Rosa Suanno exerce a vice-presidência da ANDIPE — Associação Nacional de Didática e Práticas de Ensino. A Profa. Lúcia Maria de Assis foi editora adjunta da RBPAE — Revista Brasileira de Política e Administração da Educação. E eu mesma, Daniela Lima, presidi o FORPRED Centro-Oeste — o Fórum de Coordenadores dos Programas de Pós-Graduação em Educação da Região Centro-Oeste — e de exercer a editoria adjunta da RBPAE e da Revista Educação & Sociedade, além de ter sido eleita representante dos associados colaboradores da Unirede (Associação Nacional de EaD das IES públicas). Isso não é acaso: é expressão de um programa que forma pesquisadores que não se contentam em produzir conhecimento entre quatro paredes — que constroem campo, ocupam espaços e disputam narrativas.
Temos um corpo docente reconhecido cientificamente com a bolsa Produtividade do CNPQ, sendo nós: Miriam Fábia, eu - Daniela, João , Maria Margarida e mais recentemente a profa. Adda.
Nossa vocação tampouco se encerra nas fronteiras nacionais. Nossos docentes realizaram pós-doutoramentos em instituições como a Universidade de Sevilha, a Universidade de Cagliari na Itália, York University no Canadá, a Université Paris-Sorbonne e a Universidade de Lisboa, entre outras. Tecemos redes de pesquisa com a Universidade de Barcelona — que gerou, em 2024, quatro doutorandas em sanduíche simultâneo naquela instituição — e com a International Gramsci Society na Itália, de onde saiu a nova tradução dos Cadernos do Cárcere diretamente do italiano para o português, uma contribuição científica que é, ao mesmo tempo, um marco para toda a área de ciências humanas no Brasil. E hoje, neste Seminário, temos conosco estudantes que chegaram ao nosso Programa por meio do GCUB — o Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras —, vindos de diferentes países (Como Honduras, China, dentre outros), enriquecendo nossas pesquisas e ampliando nossas perguntas. Essa internacionalização crescente é o sinal de um programa que acredita que compreender a educação brasileira exige dialogar com o mundo — e que justiça global, nossa temática deste Seminário, não é apenas um conceito acadêmico: é uma prática que se constrói dia a dia, pesquisa a pesquisa, orientação a orientação.
Para mim, pessoalmente, este seminário tem um significado de despedida e gratidão. Após 4 anos e meio à frente da coordenação, encerro meu ciclo no próximo dia 10 de julho. Foi um período de muitos desafios, mas também de grandes avanços na nossa autoavaliação e no fortalecimento da nossa identidade acadêmica. Agradeço, em especial, à profa. Marilza Suanno e prof. Luis Gustavo por dividirem a vice coordenação do programa ao meu lado, à secretaria do PPGE nas pessoas de Marina, Steffany, Adenilde, Lavínia e Rodrigo, além do nosso coordenador da CPA, prof. João Oliveira e membros importantes desse processo como o prof. Luis Gustavo e Wanderson Ferreira.
Nesse processo de amadurecimento, buscamos modernizar nossa comunicação para estarmos mais próximos da comunidade. Convido a todos a acompanharem nossa trajetória também pelo nosso site oficial e pelo Instagram (@ppge_ufg), que se tornaram canais vitais para dar visibilidade às nossas pesquisas, eventos como os 'Diálogos On-line' e, acima de tudo, para manter vivo o vínculo com nossos egressos.
O coração do PPGE bate através de suas linhas de pesquisa, que refletem nosso compromisso com uma educação transformadora. Para apresentar a vitalidade dos nossos grupos e a produção científica que nos trouxe até aqui, conto com a presença de colegas fundamentais nesta jornada:
- O Prof. Dr. Rones de Deus Paranhos, representando a Linha I (Trabalho, Educação e Movimentos Sociais);
- O Prof. Dr. João Ferreira de Oliveira, pela Linha II (Estado, Políticas e História da Educação);
- O Prof. Dr. Wilson Alves de Paiva, com a Linha III (Cultura e Fundamentos da Educação);
- E a Profª Dra. Sandra Valéria Limonta, apresentando a Linha IV (Formação Docente e Trabalho Educativo).
Que possamos, não apenas olhar para o que construímos nestes 40 anos, mas projetar o futuro do PPGE sob a ótica da justiça, da ética e da excelência acadêmica.
Quarenta anos não são apenas uma data no calendário institucional — são uma afirmação coletiva de que vale a pena lutar. Vale a pena lutar por uma universidade pública que produza conhecimento comprometido com quem mais precisa. Vale a pena lutar por uma pós-graduação que não forme apenas pesquisadores produtivos, mas intelectuais com consciência do seu tempo e do seu lugar. Vale a pena lutar por uma educação que seja, de fato, um direito de todas e todos — não um privilégio de poucos, não uma mercadoria, não um instrumento de controle, mas uma experiência humana de formação crítica, de emancipação, de encontro com o outro e com o mundo.
Foi com esse espírito que o PPGE nasceu, em 1986, num Brasil que ainda aprendia a respirar democracia. E é com esse mesmo espírito — renovado, tensionado, desafiado pelos ventos de cada época, mas nunca abandonado — que chegamos aqui, em 2026, com 40 anos de história e com a convicção de que nosso trabalho importa. Cada dissertação defendida, cada tese aprovada, cada orientação que virou política pública, cada egresso que voltou para a escola básica ou para o movimento social com outras perguntas e com mais ferramentas para respondê-las — tudo isso é o PPGE dizendo, concretamente, que a pesquisa em educação transforma vidas.
Que este XXIII Seminário seja, portanto, muito mais do que um evento acadêmico. Que ele seja um ato de reafirmação do nosso compromisso com a educação pública, gratuita, laica e socialmente referenciada. Que a temática "Educação e Justiça Global" não fique apenas nos títulos das comunicações, mas atravesse nossas conversas, inquiete nossas certezas e nos mova à ação. Que cada pesquisa apresentada aqui carregue a pergunta essencial que nos une: a quem serve o conhecimento que produzimos? E que a resposta seja sempre, sem hesitação: serve àqueles e àquelas que a educação ainda não alcançou, serve à construção de um país mais justo, serve à afirmação da dignidade humana como valor inegociável.
Obrigada a cada um e cada uma que faz o PPGE existir — docentes, discentes, técnicos, egressos, parceiros. Vocês são os 40 anos deste programa. E os próximos 40 começam hoje.
Gratidão pelo vivido!
Profa. Dra. Daniela da Costa Britto Pereira Lima
Coordenadora do PPGE/FE/UFG
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